segunda-feira, 7 de setembro de 2020

EXISTEM LOCAIS ASSOMBRADOS?


EXISTEM LOCAIS ASSOMBRADOS?


Há Espíritos, pouco esclarecidos, desorientados, brincalhões ou, até mesmo, com maus intentos, que se sentem atraídos por certos locais e neles permanecem de preferência, constituindo, assim, a sua morada predileta, sem que tenham, obrigatoriamente, necessidade de manifestar a sua presença por meio de manifestações físicas.
Por vezes, somos nós mesmos que os atraímos atendendo a sentimentos, pensamentos, conversas ou propósitos desajustados, que conservamos em nós.

“Dissemos que certos Espíritos podem sentir-se atraídos por coisas materiais. Podem sê-lo por determinados lugares, onde parecem estabelecer domicílio, até que desapareçam as circunstâncias que os faziam buscar esses lugares.”

“O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec – Segunda Parte, Capítulo IX “Dos Lugares Assombrados”

Ainda que um lugar esteja frequentado por Espíritos que não estão esclarecidos, a partir do momento em que aí passe a existir um ambiente equilibrado, por parte dos encarnados que ali se encontram, das duas uma: ou esses Espíritos mudam de conduta, até através do esclarecimento proveniente das mudanças ocorridas e até de leituras edificantes que ali aconteçam (por parte dos encarnados) ou, sentindo-se desajustados, optam por se ausentar, procurando um outro lugar que se coadune mais com a sua faixa vibratória.
Em todo o caso, os encarnados, têm um papel fulcral na resolução desse desafio.

"Trabalhai e tende coragem"


"Trabalhai e tende coragem."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Agosto de 1862

domingo, 6 de setembro de 2020

OS ESPÍRITOS MERGULHAM SEMPRE EM SONO LONGO E PROFUNDO, APÓS A MORTE?


OS ESPÍRITOS MERGULHAM SEMPRE EM SONO LONGO E PROFUNDO, APÓS A MORTE?


Não raras vezes escutamos alguns afirmarem que o Espírito passa sempre por um longo e profundo período de sono, após a morte física, assim descrevendo a perturbação espiritual desse momento. Este equívoco também acontece entre alguns dos que conhecem a Doutrina Espírita. De tal forma assim é que chega dizer-se de alguém que desencarnou: "Ainda passou pouco tempo! Ainda está a dormir!"

Será mesmo assim a perturbação após a morte?

Para nosso esclarecimento e reflexão, a este respeito, transcrevemos o que nos diz Allan Kardec, em "O Livro dos Espíritos":

"163. A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?"

“ - Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de perturbação.”

"164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?"

“ - Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado se reconhece quase imediatamente, pois que já se libertou da matéria durante a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.”

"165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação?

“ - Influência muito grande, porque o Espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.”

"Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para se reconhecer. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos."

"Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram."

"Essa perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte. Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento."

"Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo. Esse fenômeno é análogo ao que ocorre com alguns sonâmbulos inexperientes, que não creem dormir. É que têm sono por sinônimo de suspensão das faculdades. Ora, como pensam livremente e veem, julgam naturalmente que não dormem. Certos Espíritos revelam essa particularidade ainda que a morte não lhes tenha sobrevindo inopinadamente. Todavia, sempre mais generalizada se apresenta entre os que, embora doentes, não pensavam em morrer. Observa-se então o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu próprio enterramento como se fora o de um estranho, falando desse ato como de coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade."

"A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem; é calma, semelhante em tudo à que acompanha um tranquilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias, que aumentam à proporção que ele se compenetra da sua situação."

"Nos casos de morte coletiva, tem sido observado que os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se reveem imediatamente. No estado de perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam."

Posto isto, fica claro que a perturbação após a morte pode ocorrer em escassas horas, ou prolongar-se por anos, consoante os casos.

"Na morte natural, a perturbação começa antes da cessação da vida orgânica, perdendo o Espírito toda consciência de si no momento da morte. Segue-se daí que ele jamais testemunha o último suspiro. As convulsões da agonia são efeitos nervosos que quase nunca o afetam. Dizemos quase, porque em certos casos tais sofrimentos lhe podem ser impostos como expiação."

"Cercai vossa alma com o muro protetor..."

"Cercai vossa alma com o muro protetor de uma prece cheia de fé, a fim de que o inimigo, seja interno ou extreno, aí não possa penetrar."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Junho de 1863

sábado, 5 de setembro de 2020

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESMOLA E CARIDADE?


QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESMOLA E CARIDADE?


Para muitos os conceitos de esmola e caridade são idênticos mas, na verdade, há diferenças que afetam aqueles que estão quer na posição de dador, quer na de receptor.

“O que merece reprovação não é a esmola, mas a maneira por que habitualmente é dada. O homem de bem, que compreende a caridade de acordo com Jesus, vai ao encontro do desgraçado, sem esperar que este lhe estenda a mão.
A verdadeira caridade é sempre bondosa e benévola; está tanto no ato, como na maneira por que é praticado. Duplo valor tem um serviço prestado com delicadeza. Se o for com altivez, pode ser que a necessidade obrigue quem o recebe a aceitá-lo, mas o seu coração pouco se comoverá. (...)”

“O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec - Terceira Parte, Capítulo XI, Q.888

Quando a sociedade for regida pelas leis de Justiça, Amor e Caridade, ninguém será compelido a ter que pedir esmola, na medida em que alguém que não pode prover a sua própria subsistência, depois de muito ter feito para colmatar esta situação, deveria encontrar na Humanidade, meios para poder viver dignamente.
Por outro lado, sempre que possível, converter a esmola em salário é a melhor solução para uma sociedade que quer que os cidadãos prosperem.
Dar esmola humilha quem recebe e constrange quem a dá, quando se trata de um homem de bem.
O homem de bem, procura meios para ser útil, ao seu próximo por forma a que este último não se sinta constrangido ou, até, em débito.

"Lembrai-vos de que o Cristo não considera Seus discípulos os que só têm a caridade nos lábios. Não basta crer, é necessário dar o exemplo da bondade, da benevolência e do desinteresse. Sem isso, a vossa fé será estéril para vós."
Agostinho
"O Livro dos Médiuns", Allan Kardec

"A luz expulsará as lágrimas..."

"A luz expulsará as lágrimas, as penas, os desesperos sombrios, a negação das coisas divinas, todas as más vontades! Cercando o materialismo, ela o forçará a não mais abrigar-se atrás dessa barreira fictícia, carcomida, de onde arremessa desajeitadamente suas setas sobre tudo quanto não é obra sua."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Fevereiro de 1867 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

HÁ METADES ETERNAS?


HÁ METADES ETERNAS?


A Doutrina Espírita vêm esclarecer-nos a este respeito.

Para nossa reflexão, transcrevemos excerto de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec:

"298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá?"

“ - Não; não há união particular e fatal de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.”

"299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

"- A expressão é inexata. Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos.”

"300. Se dois Espíritos perfeitamente simpáticos se reunirem, estarão unidos para todo o sempre, ou poderão separar-se e unir-se a outros Espíritos?"

“ - Todos os Espíritos estão reciprocamente unidos. Falo dos que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, desde que um Espírito se eleva, já não simpatiza, como dantes, com os que lhe ficaram abaixo.”

"301. Dois Espíritos simpáticos são complemento um do outro, ou a simpatia entre eles existente é resultado de identidade perfeita?"

“ - A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos. Se um tivesse que completar o outro, perderia a sua individualidade.”

"302. A identidade necessária à existência da simpatia perfeita apenas consiste na analogia dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?"

“ - Na igualdade dos graus de elevação.”

"303. Podem tornar-se de futuro simpáticos Espíritos que presentemente não o são?"

“- Todos o serão. Um Espírito que hoje está numa esfera inferior ascenderá, aperfeiçoando-se, à em que se acha um outro Espírito. E ainda mais depressa se dará o encontro dos dois, se o mais elevado, por suportar mal as provas a que esteja submetido, permanecer estacionário.”

"a) – Podem deixar de ser simpáticos um ao outro dois Espíritos que agora o sejam?"

“ - Certamente, se um deles for preguiçoso.”

"A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra. Não pertencem decerto à ordem mais elevada os Espíritos que a empregaram. Sendo necessariamente limitado o campo de suas ideias, hão podido exprimir seus pensamentos com os termos de que se teriam utilizado na vida corporal. Não se deve, pois, aceitar a ideia de que existam Espíritos criados um para o outro, e que deverão fatalmente reunir-se um dia na eternidade, depois de haverem estado separados por tempo mais ou menos longo."