quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A CALÚNIA

A CALÚNIA


Ao longo do nosso percurso, somos confrontados com situações que nos transcendem. De qualquer forma, são difíceis até devido ao facto de, por vezes, virem de quem menos esperamos.
O excerto de um artigo da obra "Revista Espírita", de Allan Kardec, que se segue, mostra-nos esta realidade.

“Em certos indivíduos a malevolência não conhece limites. A calúnia tem sempre veneno contra todo aquele que se eleva acima da multidão.”

“Revista Espírita”, Allan Kardec – Abril de 1858 «Variedades»

Aqui encontramos um princípio que denota uma imperfeição humana.
Quando alguém está a tentar elevar-se acima da sua condição terrena, geralmente não é apenas incompreendido mas também perseguido.
A calúnia é uma das armas para tentar abatê-lo.
Estas situações chegam-nos também para testar os nossos limites e atestar a nossa firmeza no caminho escolhido.

"Nenhum Espírito está na condição de nunca se melhorar..."

"Nenhum Espírito está na condição de nunca se melhorar. Se assim fosse ele estaria fatalmente destinado a uma eterna situação de inferioridade e escaparia à lei da evolução que rege providencialmente todas as criaturas."

"O Céu e o Inferno", Allan Kardec

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A PROSPERIDADE DO MAU E A AFLIÇÃO DO HOMEM DE BEM


A PROSPERIDADE DO MAU E A AFLIÇÃO DO HOMEM DE BEM


Interrogamo-nos, muitas vezes, acerca de situações em que há maus que prosperam, ao mesmo tempo que há bons que são visitados pela aflição.

Na obra "O que é o Espiritismo, Allan Kardec fala-nos a este respeito:

"133. Por que vemos tantas vezes o mau prosperar, enquanto o homem de bem vive em aflição?

- Para aquele cujo pensamento não transpõe as raias da vida presente, para quem a acredita única, isto deve parecer clamorosa injustiça. Não se dá, porém, o mesmo com quem admite a pluralidade das existências e pensa na brevidade de cada uma delas, em relação à eternidade.

O estudo do Espiritismo prova que a prosperidade do mau tem terríveis consequências em suas seguintes existências; que as aflições do homem de bem são, pelo contrário, seguidas de uma felicidade, tanto maior e duradoura, quanto mais resignadamente ele soube suportá-las; não lhe será mais que um dia mau em uma existência próspera."

"Quando os homens só se preocupam com os sucessos..."


"Quando os homens só se preocupam com os sucessos imediatos e lucrativos, perdem o senso da honestidade, renunciam à escolha dos meios, desprezam a felicidade íntima, as virtudes privadas e deixam de se guiar conforme os princípios de justiça e de equidade."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Setembro de 1863

terça-feira, 15 de setembro de 2020

DOIS FILHOS


DOIS FILHOS


A dissertação que se segue é de São Luís e realça que tudo o que temos é um empréstimo ou uma conquista fruto do nosso esforço e do amparo divino. Por esta razão, de tudo daremos contas.

“Tu que possuis, escuta-me. Um dia dois filhos do mesmo pai receberam cada um seu alqueire de trigo. O mais velho fechou o seu num lugar retirado. O outro encontrou no caminho um pobre que pedia esmolas, correu para ele a despejar em seu manto a metade do trigo que recebera. Depois, seguiu seu caminho e foi semear o resto no campo paterno.
Por esse tempo veio uma grande fome e as aves do céu morriam à beira dos caminhos.
O irmão mais velho correu ao seu esconderijo, mas ali só encontrou poeira. O caçula ia tristemente contemplar seu trigo seco no pé, quando deparou com o pobre que havia ajudado. Irmão, disse-lhe o mendigo, eu estava morrendo e tu me socorreste; agora que a esperança secou em teu coração, segue-me. Teu meio alqueire rendeu cinco vezes em minhas mãos. Matarei a tua fome e viverás em abundância.”

“Revista Espírita”, Allan Kardec – Fevereiro de 1858 «A avareza»

"É necessário esforçar-se por se preservar..."

"É necessário esforçar-se por se preservar das investidas dos maus Espíritos, o que só se consegue lhes fechando todas as brechas que lhes poderiam dar acesso em nossa alma, a eles se impondo pela superioridade moral, a coragem, a perseverança e uma fé inabalável na proteção de Deus e dos bons Espíritos."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Agosto de 1863

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

PODER OCULTO TALISMÃS FEITICEIROS


PODER OCULTO

TALISMÃS

FEITICEIROS

Um tema que suscita muito interesse e que a Doutrina Espírita esclarece, em "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec:

"551. Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?"

“ - Não; Deus não o permitiria.”

"552. Que se deve pensar da crença no poder, que certas pessoas teriam, de enfeitiçar?"

“ - Algumas pessoas dispõem de grande poder magnético, de que podem fazer mau uso, se maus forem seus próprios Espíritos, caso em que possível se torna serem secundadas por outros Espíritos maus. Não creias, porém, num pretenso poder mágico, que só existe na imaginação de criaturas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da natureza. Os fatos que citam como prova da existência desse poder são fatos naturais, mal observados e sobretudo mal compreendidos.”

"553. Que efeito podem produzir as fórmulas e práticas mediante as quais pessoas há que pretendem dispor da vontade dos Espíritos?"

“ - O efeito de torná-las ridículas, se procedem de boa-fé. No caso contrário, são velhacos que merecem castigo. Todas as fórmulas são mera ilusão. Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais.”

"a) – Mas alguns Espíritos não têm por vezes ditado, eles próprios, fórmulas cabalísticas?"

“ - Efetivamente, Espíritos há que indicam sinais, palavras estranhas, ou prescrevem a prática de atos, por meio dos quais se fazem os chamados conjuros. Mas ficai certos de que são Espíritos que de vós outros escarnecem e zombam da vossa credulidade.”

"554. Não pode aquele que, com ou sem razão, confia no que chama a virtude de um talismã, atrair um Espírito, por efeito mesmo dessa confiança, visto que, então, o que atua é o pensamento, não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?"

“ - É verdade; mas da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é atraído. Ora, raramente aquele que seja bastante simplório para acreditar na virtude de um talismã deixará de colimar um fim mais material do que moral. Qualquer, porém, que seja o caso, essa crença denuncia uma inferioridade e uma fraqueza de ideias que favorecem a ação dos Espíritos imperfeitos e escarninhos.”

"555. Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro?"

“ - Aqueles a quem chamais feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam o poder magnético ou a segunda vista. Então, como fazem coisas que não são compreendidas, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural. Os vossos cientistas não têm passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?”

"O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da natureza e o que não passa de ridícula crendice."

"556. Têm algumas pessoas, verdadeiramente, o poder de curar pelo simples contato?"

“ - O poder magnético pode chegar até aí, quando secundado pela pureza dos sentimentos e por um ardente desejo de fazer o bem, porque então os Espíritos bons lhe vêm em auxílio. Cumpre, porém, desconfiar da maneira pela qual contam as coisas pessoas muito crédulas ou muito entusiastas, sempre dispostas a considerar maravilhoso o que há de mais simples e mais natural. Importa desconfiar também das narrativas interesseiras que costumam fazer os que exploram, em seu proveito, a credulidade alheia.”