quinta-feira, 9 de julho de 2020

Há situações em que o mal pode ficar impune?


HÁ SITUAÇÕES EM QUE O MAL PODE FICAR IMPUNE?

Sob o título "Uma volta da fortuna", publica a Revista Espírita , de Allan Kardec, em Outubro de 1864, um artigo em que nos é relatado o seguinte:

“Um berlinense, Sr. X..., possuía uma grande fortuna. Seu pai, ao contrário, em consequência de revezes, tinha caído numa pobreza absoluta e tinha sido forçado a recorrer à generosidade de seu filho. Este repeliu duramente a solicitação do velho que, para não morrer de fome, teve que recorrer à justiça. O Sr. X... foi condenado a fornecer ao pai uma pensão alimentícia. Mas o Sr. X... tinha tomado suas precauções. Pressentindo que se se recusasse a pagá-la, seria feita uma investigação em seus rendimentos, tomou a decisão de ceder sua fortuna a um tio paterno.

“Assim, o infeliz pai viu fugir-lhe a última esperança. Protestou que a cessão era fictícia e que seu filho tinha recorrido a ela para se furtar à execução da sentença. Mas ele teria que prová-lo; o velho, entretanto, não tinha condições para intentar um processo custoso, pois lhe faltavam as coisas mais necessárias à subsistência.

“Um acontecimento imprevisto veio tudo mudar. O tio morreu subitamente, sem testamento. Como ele não tinha família, a fortuna coube, de direito, ao parente mais próximo, isto é, ao seu irmão.

“Compreende-se o resto. Hoje, os papéis estão invertidos. O pai está rico e seu filho, pobre. O que, sobretudo, deve aumentar o desespero deste último é que ele não pode invocar o fato de uma cessão fictícia, pois a lei interdita formalmente esse gênero de transações.”

Posto isto, haverá situações em que ocorre a impunidade do mal?
O mesmo artigo diz-nos:

"Grave erro é pensar que o mal fique algumas vezes completamente impune na vida atual. Se soubéssemos tudo quanto acontece ao mau, aparentemente o mais próspero, ficaríamos convencidos da verdade de que não há uma única falta nesta vida, uma só inclinação má, digamos mais, um só mau pensamento que não tenha sua contrapartida."

E quando as nossas aflições surgem sem causas conhecidas na presente existência?
Prossegue o mesmo artigo:

"Se há, portanto, aqueles que nesta vida sofrem as consequências de sua existência anterior, é que eles têm a pagar uma dívida que não saldaram."

"Cessemos, portanto, de ver nas misérias que sofremos por faltas de uma existência anterior um mistério inexplicável, e digamos que de nós depende evitá-las, merecendo o perdão desde esta vida. Saldadas nossas dívidas, Deus não nos fará pagá-las segunda vez. Mas, se ficarmos surdos a seus avisos, então ele exigirá até o último ceitil, ainda que após séculos ou milhares de anos. Para isto ele não exige vãos simulacros, mas a reforma radical do coração."

Concluimos com "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, quando nos diz:

"A prosperidade do mau é apenas momentânea."

"Por toda a parte..."


"Por toda a parte onde os adeptos [do Espiritismo] mostraram firmeza e energia, os antagonistas moderaram a sua arrogância."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Outubro de 1862

quarta-feira, 8 de julho de 2020

"Todo o Espírito que quiser progredir..."


"Todo o Espírito que quiser progredir sempre encontrará assistência, de uma maneira ou de outra."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Novembro de 1862

terça-feira, 7 de julho de 2020

Obsessão


OBSESSÃO

"Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais."
(...)
"Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros."

"A Génese", Allan Kardec

"Deveis tornar-vos invulneráveis às setas..."


"Deveis tornar-vos invulneráveis às setas envenenadas da calúnia e da negra falange dos ignorantes, dos egoístas e dos hipócritas."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Dezembro de 1859

segunda-feira, 6 de julho de 2020

"A intriga e a ambição não devem usurpar..."


"A intriga e a ambição não devem usurpar o lugar que não lhes pertencem, nem um reconhecimento e uma honraria que não lhes são devidas."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Outubro de 1862

domingo, 5 de julho de 2020

Os animais são médiuns?

     

OS ANIMAIS SÃO MÉDIUNS?

Este tema gera muitas dúvidas e controvérsias.
Muitos atribuem aos animais características que eles não têm, quantas vezes interpretando mal alguns sinais e comportamentos que eles nos dão.
Há que conhecê-los e compreendê-los.
Este é um dever que a todos nós assiste, pelo respeito e pelo amor que merecem.
Consequentemente, devemos ir muito mais além de bem tratá-los, aprofundando quem eles são e estão, de facto.

A obra "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, tem, na sua segunda parte, um capítulo dedicado também aos animais. Trata-se do décimo primeiro capítulo, "Dos três reinos".
Também a "Revista Espírita", de Allan Kardec, nos traz subsídios para este tema, num artigo inserido no mês de Agosto de 1861, dissertação esta feita por um Espírito que nos diz:

“Para começar, entendamo-nos acerca dos nossos fatos.
Que é um médium? É o ser, é o indivíduo que serve aos Espíritos como traço de união, a fim de que estes facilmente possam comunicar-se com os homens, Espíritos encarnados. Por consequência, sem médium, nada de comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, nem de qualquer espécie.”

Isto significa que para os animais poderem ser médiuns teriam que ter um perispírito semelhante ao nosso, uma vez que a mediunidade pressupõe comunicação de perispírito a perispírito.

“Há um princípio que, disto tenho certeza, é admitido por todos os espíritas; é que os semelhantes agem com e como os seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos, senão os Espíritos, encarnados ou não? Será preciso repeti-lo incessantemente? Ora, eu vo-lo repetirei ainda: Vosso perispírito e o nosso são tirados do mesmo meio; são de natureza idêntica. Numa palavra, são semelhantes. Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de magnetização mais ou menos vigorosa, que nos permite a nós, Espíritos e encarnados, nos pormos em contato pronta e facilmente.”

Desta forma, compreendemos que não podem existir comunicações mediúnicas, com os animais atendendo à óbvia falta de similitude.

“Os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis pelos animais, muitas vezes tomados de súbito por esse pavor que vos parece infundado, e que é causado pela vista de um ou vários desses Espíritos mal-intencionados para com os indivíduos presentes ou para com os donos desses animais. Muitas vezes encontrais cavalos que não querem avançar nem recuar ou que empacam ante um obstáculo imaginário. Pois bem! Tende certeza de que o obstáculo imaginário é frequentemente um Espírito ou um grupo de Espíritos que se divertem impedindo-lhes o avanço.”

Os animais podem ter a capacidade de clarividência o que não é o mesmo de mediunidade pois mediunidade pressupõe comunicação e não apenas ver algo.
Por vezes as pessoas notam intranquilidade nos animais, até nos seus lares, de forma súbita e isso pode estar relacionado com o facto de eles estarem a ver algum espírito, achando que é alguém estranho aos habituais elementos na sua vida.

“Repito, não mediunizamos diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. Sempre nos é preciso o concurso consciente ou inconsciente de um médium humano, porque nos é necessária a união de fluidos similares, o que não encontramos nos animais, nem na matéria bruta.”

Na obra "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec , no capítulo vigésimo segundo, no item que aborda a questão das evocações dos animais é-nos dito:

“36 a) Como é então que, tendo evocado animais, algumas pessoas hão obtido resposta?

“- Evoca um rochedo e ele te responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra, sob qualquer pretexto.”