sábado, 3 de julho de 2021

"Sabeis que há sempre perto de vós..."

"Sabeis que há sempre perto de vós um amigo sincero, sempre pronto a sustentar e a encorajar aquele cuja direção lhe é confiada pelo Todo-Poderoso. Não, meus amigos, este apoio jamais vos faltará. Cabe a vós saber distinguir as boas inspirações entre todas as que se chocam no labirinto de vossas consciências. Sabendo compreender o que vem do vosso guia, não vos podeis afastar do reto caminho que deve seguir toda alma que aspira à perfeição."

Espírito protetor, em "Revista Espírita", Allan Kardec - Março de 1866

sexta-feira, 2 de julho de 2021

QUAL O PROPÓSITO DAS MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS?

QUAL O PROPÓSITO DAS MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS?

Adentremos este artigo da obra "O Que é o Espiritismo", de Allan Kardec, que aborda esta temática.
"50. O fim providencial das manifestações é convencer os incrédulos de que tudo para o homem não se acaba com a vida terrestre, e dar aos crentes ideias mais justas sobre o futuro.
Os bons Espíritos nos vêm instruir para nosso melhoramento e avanço, e não para revelar-nos o que não devemos saber ainda, ou o que só deve ser conseguido pelo nosso trabalho.
Se bastasse interrogar os Espíritos para obter a solução de todas as dificuldades científicas, ou para fazer descobertas e invenções lucrativas, todo ignorante poderia tornar-se sábio sem estudar, todo preguiçoso ficar rico sem trabalhar; é o que Deus não quer.
Os Espíritos ajudam o homem de gênio pela inspiração oculta, mas não o eximem do trabalho nem das investigações, a fim de lhe deixar o mérito."
"51. Faria ideia bem falsa dos Espíritos, quem neles quisesse ver auxiliares dos leitores da buena-dicha.
Os Espíritos sérios se recusam a ocupar-se de coisas fúteis; os frívolos e zombeteiros tratam de tudo, respondem a tudo, predizem tudo o que se quer, sem se importarem com a verdade, e encontram maligno prazer em mistificar as pessoas demasiado crédulas. Neste caso, é essencial conhecer-se perfeitamente a natureza das perguntas que se podem dirigir aos Espíritos."
"52. Fora do terreno do que pode ajudar o nosso progresso moral, só há incerteza nas revelações que se podem obter dos Espíritos.
A primeira consequência má, para aquele que desvia sua faculdade do fim providencial, é ser mistificado pelos Espíritos enganadores que pululam ao redor dos homens; a segunda é cair sob o domínio desses mesmos Espíritos, que podem, por pérfidos conselhos, conduzi-lo a adversidades reais e materiais na Terra; a terceira é perder, depois da vida terrestre, o fruto do conhecimento do Espiritismo."
"53. As manifestações não são, pois, destinadas a servir aos interesses materiais; sua utilidade está nas consequências morais que delas dimanam; não tivessem, elas, porém, como resultado senão fazer conhecer uma nova Lei da natureza, demonstrar materialmente a existência da alma e sua imortalidade, e já isso seria muito, porque era largo caminho novo aberto à filosofia."
"O Que é o Espiritismo", Allan Kardec

quinta-feira, 1 de julho de 2021

NAS INDECISÕES DA VIDA

NAS INDECISÕES DA VIDA

Tema inserido por Allan Kardec, na obra "O Evangelho Segundo o Espiritismo":

"Quando estamos indecisos sobre o fazer ou não fazer uma coisa, devemos antes de tudo propor-nos a nós mesmos as questões seguintes:

1ª – Aquilo que eu hesito em fazer pode acarretar qualquer prejuízo a outrem?

2ª – Pode ser proveitoso a alguém?

3ª – Se agissem assim comigo, ficaria eu satisfeito?

Se o que pensamos fazer, somente a nós nos interessa, lícito nos é pesar as vantagens e os inconvenientes pessoais que nos possam advir. Se interessa a outrem e se, resultando em bem para um, redundará em mal para outro, cumpre, igualmente, pesemos a soma de bem ou de mal que se produzirá, para nos decidirmos a agir, ou a abster-nos. Enfim, mesmo em se tratando das melhores coisas, importa ainda consideremos a oportunidade e as circunstâncias concomitantes, porquanto uma coisa boa, em si mesma, pode dar maus resultados em mãos inábeis, se não for conduzida com prudência e circunspecção. Antes de empreendê-la, convém consultemos as nossas forças e meios de execução. Em todos os casos, sempre podemos solicitar a assistência dos nossos Espíritos protetores, lembrados desta sábia advertência: Na dúvida, abstém-te."

"O Evangelho Segundo o Espiritismo",   Allan Kardec

quarta-feira, 30 de junho de 2021

LEGISLAÇÃO HUMANA


LEGISLAÇÃO HUMANA
A legislação humana tem tido progressos? Poderíamos reger-nos apenas pelas leis naturais?
A obra "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, aprofunda esta temática.
"794. Poderia a sociedade reger-se unicamente pelas leis naturais, sem o concurso das leis humanas?"
“Poderia, se todos as compreendessem bem. Se os homens as quisessem praticar, elas bastariam. A sociedade, porém, tem suas exigências. São-lhe necessárias leis especiais.”
"795. Qual a causa da instabilidade das leis humanas?"
“Nas épocas de barbaria, eram os mais fortes que faziam as leis, e eles as fizeram para si. À proporção que os homens foram compreendendo melhor a justiça, indispensável se tornou a modificação delas. Mais estáveis se tornam as leis humanas, à medida que se aproximam da verdadeira justiça, isto é, à medida que vão sendo feitas para todos e se identificam com a lei natural.”
Comentário de Allan Kardec:
"A civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas à posição social que ele ocupe. Tem-se então que regular, por meio de leis humanas, os direitos e deveres dessa posição. Mas, influenciado pelas suas paixões, ele não raro tem criado direitos e deveres imaginários, que a lei natural condena e que os povos riscam de seus códigos à medida que progridem. A lei natural é imutável e a mesma para todos; a lei humana é variável e progressiva. Na infância das sociedades, só esta pôde consagrar o direito do mais forte."
"796. No estado atual da sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?"
“Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas.”
"797. Como poderá o homem ser levado a reformar suas leis?"
“Isso ocorre naturalmente, pela força mesma das coisas e pela influência das pessoas de bem que o guiam na senda do progresso. Muitas leis ele já reformou, e muitas outras reformará. Espera!”
"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec

"Sede fortes em coragem..."


"Sede fortes em coragem, perseverança e firmeza, mas humildes de coração, segundo o preceito do Evangelho, e Jesus vos conduzirá através das tormentas e abençoará os vossos trabalhos."

Fénelon, em "Revista Espírita", Allan Kardec - Janeiro de 1865

terça-feira, 29 de junho de 2021

A ARTE E O ESPIRITISMO

A ARTE E O ESPIRITISMO

Poderão as artes regenerar-se com o Espiritismo?
Encontramos este tema abordado, em "Obras Póstumas", de Allan Kardec.
"As preocupações de ordem material se sobrepõem aos cuidados artísticos, mas, como não ser assim, quando os maiores esforços se fazem para concentrar todos os pensamentos do homem na vida carnal e para destruir nele toda esperança, toda aspiração que ultrapasse essa existência? É lógica, inevitável semelhante consequência para aquele que nada vê fora do círculo estreito da efêmera vida presente. Quando a criatura nada percebe atrás de si, nada adiante de si, nada acima de si, em que pode ela concentrar seus pensamentos senão no ponto onde se encontra? O que há de sublime na Arte é a poesia do ideal, que nos transporta para fora da esfera acanhada de nossas atividades. Mas o ideal paira exatamente nessa região extramaterial onde só se penetra pelo pensamento; que a vista corporal não pode varar, mas que a imaginação concebe. Ora, que inspiração pode o Espírito haurir da ideia do nada?
O pintor que unicamente houvesse visto o céu brumoso, as estepes áridas e monótonas da Sibéria e que julgasse estar ali todo o Universo, poderia conceber e descrever o brilho e a riqueza de tons da Natureza tropical? Como querereis que os vossos artistas e os vossos poetas vos transportem a regiões que eles não veem com os olhos da alma, que não compreendem e nas quais nem mesmo creem?
O Espírito somente pode identificar-se com o que sabe ou crê ser a verdade e essa verdade, embora de ordem moral, se lhe torna uma realidade que tanto melhor ele exprime, quanto melhor a sente. Se à inteligência da coisa junta a flexibilidade do talento, faz que suas próprias impressões se transmitam às almas dos outros. Mas que impressões pode provocar nos outros aquele que não as tem?
Para o materialista, a realidade é a Terra; seu corpo é tudo, pois que, além dele, nada mais há, visto que a sua própria mente se extingue com a desorganização da matéria, como o fogo com o combustível. Não pode, portanto, com a linguagem da Arte, exprimir senão o que vê e sente. Ora, se ele só vê e sente a matéria tangível, unicamente isso lhe é possível exprimir. Nada pode haurir de onde apenas vê o vazio. Se se aventura por um mundo que desconhece, entra aí como cego e, malgrado os esforços que empregue para elevar-se ao diapasão do idealismo, fica no terra a terra, como um pássaro sem asas.
A decadência das Artes, neste século, resultou inevitavelmente da concentração dos pensamentos sobre as coisas materiais, concentração essa que, a seu turno, é o resultado da ausência de toda crença, de toda fé na espiritualidade do ser. O século apenas colhe o que semeou. Quem semeia pedras não pode colher frutas. As Artes não sairão do torpor em que jazem, senão por meio de uma reação no sentido das ideias espiritualistas.
Como poderiam o pintor, o poeta, o literato, o músico ligar seus nomes a obras duráveis, quando, em sua maioria, eles próprios não creem no futuro de seus trabalhos; quando não se apercebem de que a Lei do Progresso, força invencível que arrasta os Universos pela estrada do infinito, lhes pede mais do que descoradas cópias das criações magistrais dos artistas dos tempos idos! Toda gente se lembra dos Fídias, dos Apeles, dos Rafaéis, dos Miguéis Ângelos, luminosos faróis que se destacam da obscuridade dos séculos transcorridos, como fúlgidas estrelas em meio de profundas trevas, mas quem se lembrará de notar o claror de uma lâmpada a lutar contra o brilho do sol de um dia de verão?
O mundo caminhou a passos gigantescos desde os tempos históricos; os filósofos dos povos primitivos gradualmente se transformaram. As Artes que se apoiam nas filosofias que lhes são a consagração idealizada, também tiveram que se modificar e transformar. É matematicamente certo dizer-se que, sem crença, as Artes carecem de vitalidade e que toda transformação filosófica acarreta necessariamente uma transformação artística paralela.
Em todas as épocas de transformação, as Artes periclitam, porque a crença em que se estribam não basta às aspirações engrandecidas da Humanidade e porque, não estando ainda adotadas pela grande maioria dos homens os novos princípios, os artistas não ousam explorar, senão de modo hesitante, a mina desconhecida que se lhes abre sob os passos.
Durante as épocas primitivas, em que os homens unicamente conheciam a vida material, em que a Filosofia divinizava a Natureza, a Arte buscou, antes de tudo, a perfeição da forma. A beleza corporal era, então, a qualidade capital; a Arte se aplicou em a reproduzir e idealizar. Mais tarde, a Filosofia enveredou por nova senda; os homens, progredindo, reconheceram que acima da matéria havia uma potência criadora e organizadora, que recompensava os bons, punia os maus e fazia da caridade uma lei. Um mundo novo, o mundo moral se edificou sobre as ruínas do mundo antigo. Dessa transformação nasceu uma Arte nova que fez palpitasse a alma sob a forma e juntou à percepção plástica a expressão de sentimentos que os antigos desconheceram.
A ideia viveu sob a matéria, mas revestiu as formas severas da Filosofia em que a Arte se inspirava. Às tragédias de Ésquilo, aos mármores de Milo, sucederam as descrições e as pinturas das torturas físicas e morais dos réprobos. A Arte se elevou; revestiu caráter grandioso e sublime, porém ainda sombrio. Ela está toda, com efeito, na pintura do inferno e do céu da Idade Média, na de sofrimentos eternos, ou de uma beatitude muito distante, colocada tão alto, que nos parece quase inacessível; é talvez por isso que ela nos toca tão pouco, quando a vemos reproduzida na tela ou no mármore.
Também hoje, ninguém ousaria contestá-lo, o mundo está num período de transição, solicitado violentamente por hábitos obsoletos, crenças precárias do passado e verdades novas, que lhe são progressivamente desvendadas.
Assim como a arte cristã sucedeu à arte pagã, transformando-a, a arte espírita será o complemento e a transformação da arte cristã. O Espiritismo, efetivamente, nos mostra o porvir sob uma luz nova e mais ao nosso alcance. Por ele, a felicidade está mais perto de nós, está ao nosso lado, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco. A morada dos eleitos, a dos condenados já não se acham insuladas; há incessante solidariedade entre o Céu e a Terra, entre todos os mundos de todos os Universos; a ventura consiste no amor mútuo de todas as criaturas que chegam à perfeição e numa constante atividade, com o objetivo de instruir e conduzir àquela mesma perfeição os que se tornaram retardatários. O inferno está no próprio coração do culpado, que tem nos remorsos o seu castigo, não mais, todavia, eterno, e ao mau, que toma o caminho do arrependimento, se depara de novo a esperança, sublime consolação dos desgraçados.
Que inesgotáveis fontes de inspiração para a Arte! Que obras-primas de todos os gêneros as novas ideias suscitarão, pela reprodução das cenas tão multiplicadas e várias da vida espírita! Em vez de representar despojos frios e inanimados, ver-se-á uma mãe tendo ao lado a filha querida em sua forma radiosa e etérea; a vítima a perdoar ao seu algoz; o criminoso a fugir em vão ao espetáculo, de contínuo renascente, de suas ações culposas! o insulamento do egoísta e do orgulhoso, em meio da multidão; a perturbação do Espírito que volve à vida espiritual etc. etc. E, se o artista quiser elevar-se acima da esfera terrestre, aos mundos superiores, verdadeiros édens onde os Espíritos adiantados gozam da felicidade que conquistaram, ou, se desejar reproduzir alguns aspectos dos mundos inferiores, verdadeiros infernos onde reinam soberanamente as paixões, que cenas emocionantes, que quadros palpitantes de interesse se lhe depararão!
Sem dúvida, o Espiritismo abre à Arte um campo inteiramente novo, imenso e ainda inexplorado. Quando o artista houver de reproduzir com convicção o mundo espírita, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações e seu nome viverá nos séculos vindouros, porque, às preocupações de ordem material e efêmeras da vida presente, sobreporá o estado da vida futura e eterna da alma."
"Obras Póstumas", Allan Kardec

segunda-feira, 28 de junho de 2021

OS ESPÍRITOS ERRANTES SÃO FELIZES OU INFELIZES?

OS ESPÍRITOS ERRANTES SÃO FELIZES OU INFELIZES?

Tema inserido por Allan Kardec, na obra "O Livro dos Espíritos":
"231. São felizes ou desgraçados os Espíritos errantes?
“Mais ou menos, conforme seus méritos. Sofrem por efeito das paixões cujo princípio conservaram, ou são felizes, de conformidade com o grau de desmaterialização a que hajam chegado. Na erraticidade, o Espírito percebe o que lhe falta para ser mais feliz e, desde então, procura os meios de alcançá-lo. Nem sempre, porém, lhe é permitido reencarnar segundo sua vontade, representando isso, para ele, uma punição.”