sábado, 6 de março de 2021

TEM CORAGEM E PROSSEGUE O CAMINHO CERTO

TEM CORAGEM E PROSSEGUE O CAMINHO CERTO

"Qual a instituição humana, ou mesmo divina, que não encontrou obstáculos a vencer, cismas contra que lutar? Se apenas tivésseis uma existência triste e lânguida, ninguém vos atacaria, sabendo perfeitamente que havíeis de sucumbir de um momento para outro. Mas, como a vossa vitalidade é forte e ativa, como a árvore espírita tem fortes raízes, admitem que ela poderá viver longo tempo e tentam golpeá-la a machado. Que conseguirão esses invejosos? Quando muito, deceparão alguns galhos, que renascerão com seiva nova e serão mais robustos do que nunca."
Channing
"O Livro dos Médiuns", Allan Kardec

sexta-feira, 5 de março de 2021

NOVAS NECESSIDADES OU NOVAS AFLIÇÕES?

NOVAS NECESSIDADES OU NOVAS AFLIÇÕES?

Na verdade, aquilo que para nós já é imprescindível, sê-lo-á de fato?
A obra "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, responde-nos a esta questão.
"926. Criando novas necessidades, a civilização não constitui uma fonte de novas aflições?"
“Os males deste mundo estão na razão das necessidades fictícias que vos criais. A muitos desenganos se poupa nesta vida aquele que sabe restringir seus desejos e olha sem inveja para o que esteja acima de si. O que menos necessidades tem, esse o mais rico.
Invejais os gozos dos que vos parecem os felizes do mundo. Sabeis, porventura, o que lhes está reservado? Se os seus gozos são todos pessoais, pertencem eles ao número dos egoístas: o reverso então virá. Deveis, de preferência, lastimá-los. Deus algumas vezes permite que o mau prospere, mas a sua felicidade não é de causar inveja, porque com lágrimas amargas a pagará. Quando um justo é infeliz, isso representa uma prova que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem. Lembrai-vos destas palavras de Jesus: Bem-aventurados os que sofrem, pois que serão consolados.”
"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec

quinta-feira, 4 de março de 2021

A CIÊNCIA E O ESPIRITISMO

A CIÊNCIA E O ESPIRITISMO

Haverá união entre a Ciência e o Espiritismo?
Vejamos o que nos diz, a este respeito, a obra "A Génese", de Allan Kardec.
"O Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciência e o seu positivismo, lhe vai ao encontro e os provoca, por possuir a certeza de que o princípio espiritual, que tem existência própria, em nada pode com elas sofrer.
O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avança para além do ponto onde este último pára. O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distância, diz um: “Não posso ir mais longe.” O outro prossegue e descobre um novo mundo. Por que, então, há de o primeiro dizer que o segundo é louco, somente porque, entrevendo novos horizontes, se decide a transpor os limites onde ao outro convém deter-se? Também Cristóvão Colombo não foi tachado de louco, porque acreditava na existência de um mundo, para lá do oceano? Quantos a História não conta desses loucos sublimes, que hão feito que a Humanidade avançasse e aos quais se tecem coroas,depois de se lhes haver atirado lama?
Pois bem! o Espiritismo, a loucura do século dezenove, segundo os que se obstinam em permanecer na margem terrena, nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem, do que a América, porquanto nem todos os homens vão à América, ao passo que todos, sem exceção de nenhum, vão ao dos Espíritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro. Galgado o ponto em que nos achamos com relação à Gênese, o materialismo se detém, enquanto o Espiritismo prossegue em suas pesquisas no domínio da Gênese espiritual."
"A Génese", Allan Kardec

quarta-feira, 3 de março de 2021

HISTÓRIA DO ESPIRITISMO: RUBENS COSTA ROMANELLI

HISTÓRIA DO ESPIRITISMO:

RUBENS COSTA ROMANELLI
"Rubens Costa Romanelli nasceu em Divinópolis, centro-oeste de Minas Gerais, em 17 de setembro de 1913. Filho de Osório Viana Romanelli e Lívia Costa Romanelli, teve mais cinco irmãos: Laura, Iracy, Jandira, Oswaldo e Djalma. Ainda muito criança, ficou órfão de mãe, tendo seu pai contraído segundas núpcias com Dona Elisa, que lhe dá mais quatro irmãos: José, Osório, Marta e Beatriz.
Devido a esse fato, e às constantes mudanças de domicílio de seu pai, o menino Rubens não pode concluir o Curso Primário, iniciado em 1920, no Grupo Escolar Bernardo Monteiro, em Belo Horizonte.
Aos 11 anos de idade, começou a trabalhar em Ibiá /MG, nas oficinas da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (hoje Rede Ferroviária Federal), como ajudante de mecânico. Três anos mais tarde, transferindo-se com seus familiares para Araxá, no sul de Minas, foi trabalhar como ajudante de carpinteiro e de marceneiro. Aos 17 anos, passou a funcionar como contínuo nos Escritórios daquela ferrovia. Ali, depois de haver aprendido datilografia, através de um método que lhe caiu às mãos, foi aproveitado como Auxiliar de Escrita.
Posteriormente, já com 21 anos de idade, foi transferido, por motivo de um invento seu, para os Escritórios Centrais da Estrada de Ferro Oeste de Minas, em Belo Horizonte, a fim de estudar Engenharia. No ano seguinte, fez, em seis meses, o Curso de Madureza (atual supletivo) e, submentendo-se a exames, foi aprovado, para ingressar, logo a seguir, na 4ª série ginasial e, no ano seguinte, na 5ª série. A essa altura, já lecionava Português e Matemática no estabelecimento de ensino onde iniciara seus estudos.
Concluído, já com a idade de 26 anos, o Curso Secundário no Colégio Arnaldo, também de Belo Horizonte, e verificada sua acentuada vocação para o magistério, matriculou-se, depois de haver prestado os exames vestibulares, no Curso de Letras da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais, na qual trabalhou, durante dois anos, como Monitor de Língua Grega. Pela mesma Faculdade, diplomou-se como Bacharel em Letras Clássicas em 1943.
No mesmo ano, casou-se com Alda Izapovitz Romanelli, com quem teve três filhas: Lívia, arquiteta; Lilavate, formada em Química, e Liliane, formada em Belas-Artes. Em 1944, como Licenciado, demitiu-se dos serviços públicos para consagrar-se exclusivamente ao magistério. Desde então, foi professor de Latim e Português em vários educandários de Belo Horizonte, entre os quais o Colégio Estadual e o Instituto de Educação de Minas Gerais. Neste último, como titular, por concurso, da Cadeira de Língua Latina.
Em 1963, logrou, mediante defesa de tese, em concurso público de provas e de títulos, o grau de Doutor em Letras e o de Livre Docente da Cadeira de Língua Latina da Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais. Por indicação de seus colegas, foi nomeado Diretor do Instituto de Humanidades da referida Faculdade. Foi também Diretor do Instituto de Educação e Cultura de Divinópolis e membro do Conselho Estadual de Educação e da C.N.E.G. Inteligência fulgurante, era considerado um desses casos que a ciência da Terra chama de superdotados, só explicado pela Doutrina Espírita, através de vidas sucessivas, da reencarnação.
Em 1966, a convite do governo francês, foi à Sorbonne, onde realizou três cursos de especialização, quando também ali lecionou. Em 1968, celebra segunda núpcia com a educadora Otaíza Bueno de Oliveira, com quem teve as filhas Juliana e Elisa.
O Professor Romanelli desencarnou sem poder concluir o seu Vocabulário Indo-Europeu e seu Desenvolvimento Semântico, obra que pesquisava há 31 anos, abrangendo 30 idiomas da família indo-europeia: francês, inglês, holandês, hebraico, italiano, espanhol, português, sueco, dinamarquês, norueguês, russo, búlgaro, anglo-saxônico, avéstico, persa (antigo e moderno), escandinavo, gaélico, letônico, prussiano, eslavo (antigo e moderno), servo-croata, boêmio, polonês. Romanelli dominava doze idiomas, pesquisando todos os demais com o auxílio de dicionários. Foi esse o maior sonho de sua vida, cujo trabalho iniciou em 1947.
Seis anos depois, já havia imprimido 800 páginas de verbetes e apenas da letra ‘A’. O Governo Brasileiro não se interessou pela obra e ele aceitou oferta de “École de Hautes Études”, da França, para continuação do Dicionário e permanência na França o tempo necessário à sua conclusão, com a ajuda de uma equipe especializada da Universidade para auxiliá-lo. Esteve na França de 1973 a 1975, não chegando, porém, a concluir a obra. Retornou à Faculdade de Letras da UFMG, continuando a trabalhar.
No campo da linguística, além do Vocabulário, publicou duas importantes obras. A primeira, “Do Morfema Indo-Europeu ‘n’ em Latim”, valiosa contribuição ao estudo da lexiologia latina, com 463 páginas, editadas em 1963 pela UFMG, foi laureada pela Academia Brasileira de Letras em 1964, com o Prêmio de Filologia “João Ribeiro”, e pela Secretaria de Educação de Minas Gerais com o prêmio Erudição “Pandiá Calógeras”. A outra, “Os Prefixos Latinos”, tratando da composição verbal e nominal em seus aspectos fonético, morfológico e semântico, com 135 páginas, foi igualmente editada pela UFMG em 1964.
Deixou, ainda, ensaios de filosofia científica, a saber: “A Morte Térmica do Universo”, estudo crítico da generalização ao Universo do 2º Princípio da Termodinâmica; “A Expansão do Universo e sua Significação Cosmogônica”, nova hipótese acerca de gênese, estrutura e evolução do Universo; e “O Fim do Mundo”, análise de oito hipóteses diferentes sobre as causas mais prováveis da extinção da vida na Terra.
DESENCARNAÇÃO
Em 22 de dezembro de 1978, ao conduzir seus familiares rumo a Londrina, no Paraná, o Prof. Rubens Romanelli foi vítima de catastrófico acidente automobilístico nas proximidades de Itápolis, norte de São Paulo. Com o impacto, faleceram a esposa, profª. Otaíza, e uma de suas filhas, Elisa, que ainda não completara um ano de idade.
No dia 24 de dezembro de 1978, num sábado pela manhã, o professor era transportado de avião da Santa Casa de Itápolis para Belo Horizonte, na companhia da filha Juliana (de oito anos) que, como ele, estava politraumatizada; de Lilavate, sua filha, e do Dr. Dulmar Garcia de Carvalho, médico, amigo e espírita. Ao sobrevoarem o Lago de Furnas (MG), Romanelli pediu ao médico que lhe desse a mão de Juliana.
Lívido, dispnéico e cianótico, por força de uma Embolia Pulmonar Gordurosa, Rubens Costa Romanelli despedia-se das dores do corpo físico, para despertar liberto e com a paz do cumprimento do dever de consciência no Plano Infinito. Desencarnou no ar.
Seu corpo foi sepultado no dia 25 de dezembro de 1978, à tarde, no Jazigo nº 2/56, da quadra XXXI do Jardim das Paineiras do Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte/MG.
TRABALHO NA DOUTRINA
Nenhum dos biógrafos do Prof. Romanelli precisa a data em que ele se tornou espírita. Nos anos 1947 e 1948, já integrava um grupo de moços dedicados à Doutrina, entre os quais Newton Boechat, Henrique Rodrigues e Celso de Castro. Com esses companheiros organizou a ABUC, organização para o estudo de “A Grande Síntese”, de Pietro Ubaldi, um estudo teórico e prático das teses sustentadas pelo filósofo italiano.
Trabalhou por muito tempo no Centro Espírita Amor e Caridade, fundado pelo médium Antônio Loreto Flores. O professor pertenceu, também, ao quadro de Conselheiros do Abrigo Jesus, modelar instituição espírita de promoção da criança, fundada em 1937, em Belo Horizonte, sob os auspícios da União Espírita Mineira.
Rubens Romanelli foi o primeiro diretor do Ginásio Espírita “O Precursor”, órgão da União Espírita Mineira, e pertenceu a diversas entidades e agremiações culturais do Estado de Minas Gerais. Escritor, jornalista, conferencista do mais alto gabarito, foi o criador do primeiro Conselho de Extensão da UFMG e idealizador do Festival de Inverno da cidade de Ouro Preto. Foi ele o autor do livro O Primado do Espírito, no qual consta uma página de grande beleza: “Quando...”.
Esta página tem sido publicada, e também gravada, mas sem citação do seu nome ou atribuindo-a a outros autores. Por exemplo, foi publicada como sendo de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Há, também, uma gravação na TAPE-CAR, com a voz de José Gomes, e o título de ‘Meditações’, em cujo selo se lê: D.P., ou seja “Domínio Público”. Um dos grandes bancos brasileiros imprimiu a mesma página, sem se preocupar com o autor, declarando no rodapé: “autor ignorado”. Tudo com absoluta falta de ética.
O Professor Rubens Costa Romanelli colocou sua fulgurante inteligência e cultura a serviço da humanidade. Reunia todas as qualidades que se deseja para um ser humano, pela sua bondade, seu grande coração, junto à família e na sociedade em que conviveu."
União Espírita Mineira
Fontes:
- ROMANELLI, Rubens Costa. “O Primado do Espírito”. Belo Horizonte: Ed. Síntese, 1966;
- LUCENA, Antônio de Souza. “Pioneiros de uma Nova Era”. Rio de Janeiro: CELD, 1997;
- JORGE, Fidélis Chamone. In: “Rubens Costa Romanelli, sábio e virtuoso"

terça-feira, 2 de março de 2021

"O universo é um vasto canteiro de obras..."

"O universo é um vasto canteiro de obras; uns demolem, outros reconstroem; cada qual talha uma pedra para o novo edifício cuja planta definitiva só o grande Arquiteto possui, e cuja economia se compreenderá apenas quando suas formas começarem a desenhar-se acima do solo."

"O Céu e o Inferno", Allan Kardec

CONSIDERANDO QUE DEUS ESTÁ EM TODA A PARTE, POR QUE NÃO O VEMOS?

CONSIDERANDO QUE DEUS ESTÁ EM TODA A PARTE, POR QUE NÃO O VEMOS?

Na "Revista Espírita" de Maio de 1866, Allan Kardec inseriu um artigo que aborda esta temática:
"A vista de Deus"
"Considerando-se que Deus está em toda parte, por que não o vemos? Vê-lo-emos ao deixar a Terra? Estas são também perguntas feitas diariamente. A primeira é fácil de resolver: Nossos órgãos materiais têm percepções limitadas, que lhes tornam imprópria a visão de certas coisas, mesmo materiais. É assim que certos fluidos escapam totalmente à nossa visão e aos nossos instrumentos de análise. Vemos os efeitos da peste e não vemos o fluido que a transporta; vemos os corpos a se moverem sob a influência da força da gravitação, mas não vemos essa força.
As coisas de essência espiritual não podem ser percebidas pelos órgãos materiais; só pela visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo imaterial; assim, só a nossa alma pode ter a percepção de Deus. Ela o vê imediatamente após a morte? É o que só as comunicações de além-túmulo nos podem ensinar. Por elas, sabemos que a visão de Deus só é privilégio das almas mais depuradas e que assim, muito poucas, ao deixar o envoltório terreno, possuem o grau de desmaterialização necessário. Algumas comparações simples nos permitirão compreender isso sem dificuldade.
Aquele que está no fundo de um vale, cercado de espessa bruma, não vê o Sol; contudo, à luz difusa, ele percebe a presença do sol. Se subir a montanha, à medida que ele se eleva, dissipa-se o nevoeiro, a luz se torna cada vez mais viva, mas ainda não o vê. Quando começa a percebê-lo, ele ainda está velado, porque o mínimo de vapor basta para lhe enfraquecer o brilho. Só depois de se haver elevado completamente acima da camada brumosa é que, achando-se num ar perfeitamente puro, ele o vê em todo o seu esplendor.
Dá-se o mesmo com quem tivesse a cabeça envolta por diversos véus. Inicialmente ele não vê absolutamente nada; a cada véu que retira, distingue um clarão cada vez maior; só quando retira o último véu é que vê as coisas nitidamente.
Também se dá o mesmo com um líquido carregado de matérias estranhas. A princípio ele é turvo; a cada destilação sua transparência aumenta, até que, estando completamente purificado, adquire uma limpidez perfeita e não apresenta nenhum obstáculo à visão.
Assim é com a alma. O envoltório perispiritual, embora invisível e impalpável para nós, é para ela uma verdadeira matéria, ainda muito grosseira para certas percepções. Esse envoltório se espiritualiza à medida que a alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são como véus que obscurecem sua visão; cada imperfeição de que se desfaz é um véu a menos, mas só depois de se ter depurado completamente é que goza da plenitude de suas faculdades.
Sendo Deus a essência divina por excelência, não pode ser percebido em todo o seu brilho senão pelos Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização. Se os Espíritos imperfeitos não o vêem, não é porque estejam mais afastados que os outros, porquanto todos os seres da Natureza, assim como eles, estão mergulhados no fluido divino. Assim como nós estamos na luz, os cegos também estão na luz, contudo não a veem. As imperfeições são véus que ocultam Deus à visão dos Espíritos inferiores; quando a cerração se dissipar, eles o verão resplandecer. Para isto não precisarão subir nem de procurá-lo nas profundezas do infinito; estando a vida espiritual desembaraçada das manchas morais que a obscureciam, eles o verão em qualquer lugar onde se encontrarem, ainda que estivessem na Terra, porquanto ele está em toda parte.
O Espírito se depura muito lentamente, e as diversas encarnações são os alambiques, no fundo dos quais deixa, a cada vez, algumas impurezas. Deixando seu envoltório corporal, ele não se despoja instantaneamente de suas imperfeições; é por isso que alguns, após a morte, não veem Deus mais do que em vida. No entanto, à medida que se depuram, dele têm uma intuição mais clara; se não o veem, compreendem-no melhor; a luz é menos difusa. Assim, quando Espíritos dizem que Deus lhes proíbe de responder a determinada pergunta, não é que Deus lhes apareça ou lhes dirija a palavra para prescrever ou interditar isto ou aquilo. Não; mas eles o sentem, recebem os eflúvios de seu pensamento, como nos acontece com relação aos Espíritos que nos envolvem com seu fluido, embora não os vejamos.
Nenhum homem pode, pois, ver Deus com os olhos da carne. Se esse favor fosse concedido a alguns, só o seria no estado de êxtase, quando a alma está tão desprendida dos laços da matéria quanto é possível durante a encarnação.
Um tal privilégio aliás seria apenas das almas de escol, encarnadas em missão e não em expiação. Mas como os Espíritos da mais elevada ordem resplandecem com um brilho deslumbrante, pode ser que Espíritos menos elevados, encarnados ou desencarnados, deslumbrados pelo esplendor que os cerca, julgassem ter visto o próprio Deus. É como alguém que vê um ministro e o toma por seu soberano.
Sob que aparência Deus se apresenta aos que se tornaram dignos desse dom? Sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana ou como um foco resplendente de luz? É o que a linguagem humana é incapaz de descrever, porque para nós não existe nenhum ponto de referência que possa dar uma ideia. Somos como cegos a quem em vão procurassem fazer compreender o brilho do Sol. Nosso vocabulário é limitado às nossas necessidades e ao círculo de nossas ideias; o dos selvagens não poderia descrever as maravilhas da civilização; o dos povos mais civilizados é muito pobre para descrever os esplendores do Céu; nossa inteligência muito limitada para compreendê-los, e nossa visão muito fraca ficaria por eles deslumbrada."

segunda-feira, 1 de março de 2021

APELO AOS BONS CORAÇÕES

APELO AOS BONS CORAÇÕES

Com este título, inseriu Allan Kardec um importante e tocante artigo, na "Revista Espírita" de Novembro de 1864 e que é o nosso tema de reflexão para hoje:

"APELO AOS BONS CORAÇÕES"

"O Espiritismo, esta estrela do Oriente, não somente vem abrir-vos as portas da Ciência. Ele faz mais que isto: é um amigo que vos aproxima uns aos outros, para vos ensinar o amor ao próximo e sobretudo a caridade, não essa esmola degradante que busca no bolso a menor moeda para lançar na mão do pobre, mas a doce mansuetude do Cristo, que conhecia o caminho onde se encontra o infortúnio oculto.

“Meus bons amigos, encontrei em meu caminho uma dessas misérias de que a história não fala, mas de que o coração se lembra quando foi testemunha das tão rudes provas. É uma pobre mulher; ela é mãe; ela tem um filho há muitos meses sem ocupação; além disso, ela sustenta uma infeliz, operária como ela. E, além disso, um velho vem diariamente encontrá-la à hora da comida, quando há o suficiente para comer. Mas no dia em que falta o necessário, as duas pobres mulheres, criaturas admiráveis por sua caridade, dão o seu repasto aos dois homens, o velho e o rapaz, pretextando que, estando com fome, comeram antes. Vi isto renovar-se muitas vezes. Vi o velho, num momento de desespero, vender a última roupa e querer, por insigne ato de loucura, dizer um último adeus à vida, antes de partir para o mundo invisível, onde Deus vos julga a todos.

“Vi a fome imprimir suas marcas nesses deserdados do bem-estar social, mas as mulheres oraram com fervor, e Deus as escutou. Ele já pôs irmãos, espíritas, sobre os seus passos, e quando a caridade chama, os corações devotados respondem. Já estão secas as lágrimas do desespero. Nada mais resta além da angustia do amanhã, o fantasma ameaçador do inverno com seu cortejo de granizo, de gelo e de neve. Eu vos estendo a mão em favor desse infortúnio. Os pobres, nossos amigos, são os enviados de Deus. Eles vêm dizer-vos: Nós sofremos; Deus o quer; é o nosso castigo e ao mesmo tempo um exemplo para a nossa melhora. Vendo-nos tão infelizes, vosso coração se enternece, vossos sentimentos se alargam, aprendeis a amar e a lamentar o infeliz. Socorrei-nos, a fim de que não murmuremos, e também para que Deus vos sorria do alto de seu belo paraíso.

“Eis o que diz o pobre em seus farrapos; eis o que repete o anjo da guarda que vos vela, e o que vos repito, simples mensageira da caridade, intermediária entre o Céu e vós.

“Sorride ao infortúnio, ó vós que sois ricamente dotados de todas as qualidades de coração. Ajudai-me em minha tarefa. Não deixeis fechar-se esse santuário de vossa alma onde mergulhou o olhar de Deus, e um dia, quando entrardes na vossa mãe-pátria, quando, com o olhar incerto e o passo inseguro, buscardes o vosso caminho através da imensidade, eu vos abrirei de par em par a porta do templo onde tudo é amor e caridade e vos direi: Entrai, meus amados. Eu vos conheço!

“CÁRITA”

A quem fariam crer seja esta a linguagem do diabo? Foi a voz do diabo que se fez ouvir ao ouvido do capitão, sob o nome de seu filho, para adverti-lo que o velho ia suicidar-se e, ao mesmo tempo, para lhe inculcar o arrependimento por ter dito palavras que poderiam magoá-lo? Segundo a doutrina que um partido busca fazer prevalecer, conforme a qual só o diabo se comunica, esse capitão deveria ter repelido como satânica a voz que lhe falava; disso teria resultado que o velho ter-seia suicidado; que o mobiliário das pobres operárias teria sido vendido e que elas talvez tivessem morrido de fome.

Entre os donativos que para elas recebemos, há um que devemos mencionar, sem nomear o autor. Ele estava acompanhado da carta seguinte:

“Senhor Allan Kardec,

“Eu soube por intermédio de um meu parente que obteve de vós o relato da bela ação verdadeiramente cristã levada a efeito por uma pobre operária de Lyon em benefício de um velho infeliz. Esse parente mostrou-me um apelo muito eloquente em favor do velho, por um Espírito que se dá o suave nome de Cárita. À sua pergunta se nele eu reconhecia a linguagem do demônio, respondi que os nossos melhores santos não falam melhor. É minha opinião. Por isso tomei a liberdade de lhe pedir uma cópia. Senhor, sou um pobre padre, mas vos envio o óbolo da viúva, em nome de Jesus Cristo, para essa brava e digna mulher. Inclusa achareis a módica soma de cinco francos, lamentando não poder dar mais. Peço o favor de não mencionar meu nome.

“Dignai-vos aceitar, etc.

“PADRE X...”