domingo, 20 de dezembro de 2020

"O Criador é grande..."

"O Criador é grande, admirai-o em suas obras."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Janeiro 1865

ADÉLAÏDE-MARGUERITE GOSSE - Expiação terrestre

ADÉLAÏDE-MARGUERITE GOSSE - Expiação terrestre

Um exemplo de expiação terrestre que nos é trazido pela obra "O Céu e o Inferno", de Allan Kardec:
"Era uma humilde e pobre criada, de Harfleur, Normandia. Aos 11 anos entrou para o serviço de uns horticultores ricos, da sua terra. Um ano depois, uma inundação do Sena arrebatava-lhes, afogando-os, todos os animais! Ainda por outras desgraças supervenientes, os patrões da rapariga caíram na miséria! Adélaïde reuniu-se-lhes no infortúnio, abafou a voz do egoísmo e, só ouvindo o generoso coração, obrigou-os a aceitarem quinhentos francos de suas economias, continuando a servi-los independentemente de salário. Depois da morte dos patrões, passou a dedicar-se a uma filha que deixaram, viúva e sem recursos. Mourejava pelos campos, recolhia o produto, e, casando-se, reuniu os seus esforços aos do marido, para manterem juntos a pobre mulher, a quem continuou a chamar sua patroa! Cerca de meio século durou esta abnegação sublime. A Sociedade de emulação de Rouen não deixou no esquecimento essa mulher digna de tanto respeito e admiração, porquanto lhe decretou uma medalha de honra e uma recompensa em dinheiro; a este testemunho associaram-se as lojas maçônicas do Havre, oferecendo-lhe uma pequena soma destinada ao seu bem-estar.
Finalmente, a administração local também se interessou por ela, delicadamente, de modo a não lhe ferir a suscetibilidade. Este anjo de bondade foi arrebatado da Terra, instantânea e suavemente, em consequência de um ataque de paralisia. Singelas, porém decentes, foram as últimas homenagens prestadas à sua memória. O secretário da municipalidade foi à frente do cortejo fúnebre.
(Sociedade de Paris – 27 de dezembro de 1861.)
Evocação. — Ao Deus Onipotente rogamos nos permita a comunicação do Espírito Marguerite Gosse.
— P. Felizes nos consideramos em poder testemunhar-vos a nossa admiração pela vossa conduta na Terra, e esperamos que tanta abnegação tenha recebido a sua recompensa.
— R. Sim, Deus foi bom e misericordioso para com a sua serva.
Tudo quanto fiz, e louvável vos parece, era natural.
— P. Podereis dizer-nos, para edificação nossa, qual a causa da humildade de vossa condição terrena?
— R. Em duas encarnações sucessivas ocupei posição assaz elevada, sendo-me fácil a prática do bem, que fazia sem sacrifício, sendo, como era, rica. Pareceu-me, porém, que me adiantava lentamente, e por isso pedi para voltar em condições mesquinhas, nas quais houvesse mesmo de lutar com as privações. Para isso me preparei durante longo tempo, e Deus manteve-me a coragem, de modo a poder atingir o fim a que me propusera.
— P. Já tornastes a ver os antigos patrões? Dizei-nos qual a vossa posição perante eles, e se ainda vos considerais deles subalterna?
— R. Vi-os, pois, quando cheguei a este mundo, já aqui estavam. Humildemente vos confesso que me consideram como lhes sendo superior.
— P. Tínheis qualquer motivo de afeição para com eles, de preferência a outros quaisquer?
— R. Obrigatório, nenhum, visto que em qualquer parte conseguiria o meu objetivo. Escolhi-os, no entanto, para retribuir uma dívida de reconhecimento. É que outrora haviam sido benévolos para comigo, prestando-me serviços.
— P. Que futuro julgais que vos aguarda?
— R. Espero a reencarnação em um mundo onde se não conheçam dores. Talvez me julgueis muito presunçosa, porém eu vos falo com a vivacidade própria do meu caráter. Além disso, submeto-me à vontade de Deus.
— P. Gratos à vossa presença, não duvidamos que Deus vos cumule de benefícios.
— R. Obrigada. Assim Deus vos abençoe a todos, para que possais, quando desencarnados, gozar das puras alegrias que a mim foram concedidas."

sábado, 19 de dezembro de 2020

QUAL A ORIGEM DOS NOSSOS PENSAMENTOS?

QUAL A ORIGEM DOS NOSSOS PENSAMENTOS?

Surgem, dissipam-se ou persistem. Mas, afinal, como surgem os nossos pensamentos?
É também a obra "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, que aborda esta questão com propriedade.
"Duas origens pode ter qualquer pensamento mau: a própria imperfeição de nossa alma, ou uma funesta influência que sobre ela se exerça. Neste último caso, há sempre indício de uma fraqueza que nos sujeita a receber essa influência; há, por conseguinte, indício de uma alma imperfeita. De sorte que aquele que venha a falir não poderá invocar por escusa a influência de um Espírito estranho, visto que esse Espírito não o teria arrastado ao mal, se o considerasse inacessível à sedução. Quando surge em nós um mau pensamento, podemos, pois, imaginar um Espírito maléfico a nos atrair para o mal, mas a cuja atração podemos ceder ou resistir, como se se tratara das solicitações de uma pessoa viva. Devemos, ao mesmo tempo, imaginar que, por seu lado, o nosso anjo guardião, ou Espírito protetor, combate em nós a má influência e espera com ansiedade a decisão que tomemos. A nossa hesitação em praticar o mal é a voz do Espírito bom, a se fazer ouvir pela nossa consciência. Reconhece-se que um pensamento é mau, quando se afasta da caridade, que constitui a base da verdadeira moral, quando tem por princípio o orgulho, a vaidade, ou o egoísmo; quando a sua realização pode causar qualquer prejuízo a outrem; quando, enfim, nos induz a fazer aos outros o que não quereríamos que nos fizessem."
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec

"Deus é tão justo quão grande..."

"Deus é tão justo quão grande. Apoiai-vos nele e ele vos inundará de sua graça. Vossos corações expandir-se-ão e tornar-se-ão o asilo da fé."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Janeiro 1865

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

CAIRBAR SCHUTEL


CAIRBAR SCHUTEL

"Cairbar de Souza Schutel nasceu em 22 de setembro de 1868 na cidade do Rio de Janeiro, filho do negociante Anthero de Souza Schutel e de Rita Tavares Schutel. Ficou órfão de pai e mãe aos dez anos de idade e foi criado pelo avô, Henrique Schutel, que matriculou o menino no Imperial Colégio de Pedro II.
No educandário, estudou até o segundo ano do Ensino Médio e, logo que atingiu a maioridade, mudou-se da casa do avô e se tornou independente, trabalhando como prático de farmácia (semelhante ao farmacêutico, mas curso superior para tal).
Aos 17 anos de idade, Cairbar Schutel já era um bom prático de farmácia quando decidiu mudar-se do Rio de Janeiro para o Estado de São Paulo. Fixou-se, primeiramente, na cidade de Piracicaba, onde dirigiu a Farmácia Neves, e, posteriormente, em Araraquara e Matão.
Naquela época, a vila de Matão contava com poucas centenas de habitantes e tinha características mais próximas da ruralidade. Lutando para que a cidade se emancipasse do município de Araraquara, Cairbar contribuiu de modo decisivo para que Matão subisse à categoria de Município, tendo sido o primeiro Presidente de sua Câmara Municipal (1889). Ele ficou conhecido na política pela sua competência e, com seus próprios recursos, construiu o prédio para a instalação da Câmara Municipal.
A inserção no conhecimento espírita foi por meio de um amigo, Manuel Pereira do Prado - mais conhecido por Manuel Calixto, cujo pai era espírita. Procurado por Cairbar, o pai de Manuel lhe relatou que havia dois anos que não fazia mais sessões espíritas, pois ali só se comunicavam espíritos atrasados, que pediam missas, e os pedidos eram tantos que ele tinha que arrumar dinheiro para encomendar as missas.
Intrigado com a opinião do velho Calixto, ele pediu para que pudesse assistir a um trabalho mediúnico, no qual Calixto recebeu uma mensagem de elevado cunho espiritual, o que sensibilizou Caibar.
Tempos depois, Schutel teve o afloramento de suas faculdades mediúnicas, sobressaindo a da psicografia, por meio da qual o pai se manifestou, provando a sua sobrevivência. Ele, então, resolveu aprofundar-se no conhecimento doutrinário, estudando as Obras Básicas de Allan Kardec e todas as outras publicadas em português.
Cairbar fundou, no dia 15 de julho de 1905, o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o primeiro em toda aquela zona paulista. Em 15 de agosto de 1905, fundou o Jornal O Clarim, e, no dia 15 de fevereiro de 1925, de colaboração com Luís Carlos de Oliveira Borges, que lhe garantiu os meios materiais, lançava a Revista Internacional do Espiritismo.
Casou-se, em Itápolis, com Maria Elvira da Silva (Mariquinhas) e dessa união não houve filhos, tendo a consorte precedido o velho Schutel na vida de além túmulo. Caibar ficou conhecido como “Médico dos pobres” e “Pai da Pobreza de Matão”, pois, receitava e dava gratuitamente os remédios. Sua residência tornou-se numa espécie de “Casa dos Pobres”. O sentimento de amor ao próximo teve nele um modelo digno de ser imitado. Atos de desprendimento e de renúncia eram coisas comuns para ele.
De acordo com Zêus Wantuil no livro Grandes Espíritas do Brasil, a personalidade de Schutel era de um:
“Polemista emérito, jamais se curvou as injunções e às perseguições que naqueles tempos se moviam ao Espiritismo. Os próprios adversários do Espiritismo não tinham coragem de atacá-lo, tão grande era a sua projeção moral. E a grandeza da sua dedicação fazia que o estimassem, cheios de respeito.”
Cercado da consideração de seus familiares e de numerosos espíritas, Cairbar Schutel desencarnou na cidade de Matão-SP, às 16h15 do dia 30 de janeiro de 1938. Na lápide onde seu corpo foi sepultado está gravada a célebre frase: “Vivi, vivo e viverei, porque sou imortal”. Ele é conhecido nos meios espíritas como o “Apóstolo de Matão”, e o Espiritismo teve nele zeloso e esforçado propagador. Sua memória é cultivada com carinho e admiração."
-- Fontes:
- WANTUIL, Zêus. Grandes Espíritas do Brasil - Editora FEB (1969);
- _____ . Grandes Vultos do Espiritismo – Editora FEB (1981);
- Site da Federação Espírita Brasileira (FEB);
- Vídeo sobre a Biografia de Cairbar Schutel, pela FEBtv.
- União Espírita Mineira

"Espíritas, sede fortes em coragem..."

"Espíritas, sede fortes em coragem, perseverança e firmeza, mas humildes de coração, segundo o preceito do Evangelho e Jesus vos conduzirá e abençoará os vossos trabalhos."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Janeiro 1865

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

MENSAGENS ESCRITAS: PODERÁ UM MÉDIUM ANALFABETO RECEBÊ-LAS?

MENSAGENS ESCRITAS:

PODERÁ UM MÉDIUM ANALFABETO RECEBÊ-LAS?
Em "O Livro dos Médiuns", diz- nos Allan, a este respeito:
"223. (18a)Poderia uma pessoa analfabeta escrever como médium?"
“Sim, mas é fácil de compreender-se que terá de vencer grande dificuldade mecânica, por faltar à mão o hábito do movimento necessário a formar letras. O mesmo sucede com os médiuns desenhistas que não sabem desenhar.”