quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

OS LIMBOS E O ESPIRITISMO

OS LIMBOS E O ESPIRITISMO

O destino após a morte física tem trazido incompreensões, apreensões e equívocos.
A Doutrina Espírita vem esclarecer essa temática.
Hoje trazemos o que Allan Kardec nos diz sobre os limbos, na obra "O Céu e o Inferno":
"Os limbos"
"8. É verdade que a Igreja admite uma posição especial em casos particulares.
As crianças falecidas em tenra idade, sem fazer mal algum, não podem ser condenadas ao fogo eterno, mas também, não tendo feito bem, não lhes assiste direito à felicidade suprema. Ficam nos limbos, diz-nos a Igreja, nessa situação jamais definida, na qual, se não sofrem, também não gozam da bem-aventurança. Esta, sendo tal sorte irrevogavelmente fixada, fica-lhes defesa para sempre. Tal privação importa, assim, um suplício eterno e tanto mais imerecido, quanto é certo não ter dependido dessas almas que as coisas assim sucedessem. O mesmo se dá quanto ao selvagem que, não tendo recebido a graça do batismo e as luzes da Religião, peca por ignorância, entregue aos instintos naturais. Certo, este não tem a responsabilidade e o mérito cabíveis ao que procede com conhecimento de causa. A simples lógica repele uma tal doutrina em nome da Justiça de Deus, que se contém integralmente nestas palavras do Cristo: “A cada um, segundo as suas obras.” Obras, sim, boas ou más, porém praticadas voluntária e livremente, únicas que comportam responsabilidade. Neste caso não podem estar a criança, o selvagem e tampouco aquele que não foi esclarecido."

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

"Todo o espírita sincero..."

"Todo o espírita sincero, que se cinge aos limites dos deveres que lhe traça a Doutrina Espírita, concilia a consideração e o respeito, e nada tem a temer."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Maio de 1865

SUSPENSÃO DA ASSISTÊNCIA DOS ESPÍRITOS?

SUSPENSÃO DA ASSISTÊNCIA DOS ESPÍRITOS?

Sob o título "Suspensão da assistência dos Espíritos" traz-nos Allan Kardec um importante artigo, na "Revista Espírita", de 1866, que hoje trazemos para estudo e reflexão:
"(Doual, 13 de outubro de 1865)
Num grupo modelo, que conhecia e punha em prática deveres espíritas, notava-se com surpresa que certos Espíritos de escol e assistentes habituais há algum tempo abstinham-se de ali dar instruções, o que motivou a seguinte pergunta:
Pergunta. ─ Por que os Espíritos elevados que nos assistem de ordinário comunicam-se mais raramente conosco?
Resposta. ─ Caros amigos, há duas causas para esse abandono de que vos queixais. Mas, para começar, não é um abandono; é apenas um afastamento momentâneo e necessário. Sois como estudantes que, bem instruídos e bem providos de repetições preliminares, são obrigados a fazer os seus deveres sem o concurso dos professores; eles buscam na memória; eles espreitam um sinal, eles tentam descobrir uma palavra de auxílio: nada vem, nada deve vir.
Esperais nosso encorajamento, nossos conselhos sobre a vossa conduta, sobre as vossas determinações: nada vos satisfaz, porque nada vos deve satisfazer. Fostes providos de ensinamentos sábios, afetuosos, de encorajamentos frequentes, cheios de amenidade e de verdadeira sabedoria; tivestes muitas provas de nossa presença, da eficácia de nosso auxílio; a fé vos foi dada, comunicada; vós a tomastes, raciocinastes, adotastes. Numa palavra, como o estudante, fostes providos para o dever. É preciso cumpri-lo sem erros, com os vossos próprios recursos, e não com o nosso concurso. Onde estaria o vosso mérito? Não poderíamos senão repetir incessantemente a mesma coisa. Cabe-vos agora aplicar o que vos ensinamos. É preciso voar com vossas próprias asas e caminhar sem andadeiras.
A cada homem, num dado momento, Deus fornece uma arma e uma força para continuar a vencer novos perigos. O momento em que uma força nova se lhe revela é sempre para o homem uma hora de alegria, de entusiasmo. Então, a fé ardente aceita qualquer dor sem analisá-la, porque o amor não conta as penas. Entretanto, depois desses fatos subitâneos que são a festa, é preciso o trabalho, e nada mais do que o trabalho. A alma acalmou-se, o coração se asserenou, e eis que a luta e a provação chegam; eis o inimigo, é preciso aguentar o choque; é o momento decisivo. Então, que o amor vos transporte e vos faça desdenhar a Terra! É preciso que o vosso coração conquiste a vitória sobre os maus instintos do egoísmo e do abatimento; é a prova.
Há muito tempo vos temos dito, vos temos advertido que teríeis necessidade de vos reunirdes, de vos unirdes, de vos fortalecerdes pela luta. O momento é chegado, e aí estais. Como ides sustentá-la? Nada mais podemos fazer, do mesmo modo que o professor não pode soprar a composição do aluno. Ganhará ele o prêmio? Isto depende do proveito que ele tiver tirado das lições recebidas. Assim é convosco. Possuís um código de instruções suficiente para vos conduzir até um determinado ponto. Relede essas instruções, meditai-as e não peçais outras antes de tê-las seriamente aplicado, coisa de que só nós somos os juízes, e quando chegardes ao ponto em que elas forem insuficientes, em relação ao vosso progresso moral, nós bem saberemos dar-vos outras.
A segunda razão desta espécie de isolamento de que vos queixais é a seguinte: Muitos de vossos conselheiros simpáticos têm, junto a outros homens, missões análogas às que inicialmente quiseram desempenhar junto a vós, e essa quantidade de evocações de que são objeto muitas vezes os demovem do propósito de serem assíduos em vosso grupo. Vossa amiga Madalena desempenha longe daqui uma tarefa difícil, e sua solicitude, estando junto a vós, vai também para aqueles a quem ela se propôs salvar. Mas todos eles voltarão; reencontrareis, em dado momento, vossos amigos reunidos como outrora, num só pensamento de simpático concurso junto aos seus protegidos. Ponde esse tempo em proveito de vosso melhoramento, a fim de que, quando eles vierem, possam dizer-vos: Estamos contentes convosco.
PAMPHILE, Espírito Protetor
OBSERVAÇÃO: Esta comunicação é uma resposta aos que se lamentam da uniformidade do ensinamento dos Espíritos. Se refletíssemos no número de verdades que eles nos ensinaram, veríamos que elas nos oferecem um vastíssimo campo para a meditação, até que nós as tenhamos assimilado, e que tenhamos deduzido todas as suas aplicações. Que diríamos de um doente que diariamente pedisse um novo remédio ao seu médico, sem seguir as suas prescrições? Se os Espíritos não nos ensinam novidades todos os dias, com o auxílio da chave que nos puseram nas mãos e das leis que nos revelaram, por nós mesmos aprendemos coisas novastodos os dias, compreendendo o que para nós era incompreensível."

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

ESTARÃO ALGUMAS PESSOAS DESTINADAS À INUTILIDADE?

ESTARÃO ALGUMAS PESSOAS DESTINADAS À INUTILIDADE?

Em "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, encontramos a resposta.
"680. Não há homens que se encontram impossibilitados de trabalhar no que quer que seja e cuja existência é, portanto, inútil?"
“Deus é justo; só condena aquele que voluntariamente tornou inútil a sua existência, porquanto esse vive a expensas do trabalho dos outros. Ele quer que cada um seja útil, de acordo com as suas faculdades.”
Desde que tenhamos as faculdades mentais aptas a isso, todos podemos ser úteis, nem que seja através da oração.
Aproveitemos as faculdades de que Deus nos dotou.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

"OS BONS ESPÍRITAS"

"OS BONS ESPÍRITAS"

Na obra "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec traz-nos esclarecimentos acerca deste tema:
4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as conseqüências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.
Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.
Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores, nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que à moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência.
Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade."
Capítulo XVII - "Sede perfeitos"

domingo, 31 de janeiro de 2021

MARCEL: A SUPERAÇÃO DA DOR FÍSICA

MARCEL:

A SUPERAÇÃO DA DOR FÍSICA
Allan Kardec, através do auxílio de Santo Agostinho, dá-nos a conhecer, Marcel, na obra "O Céu e o Inferno". Trata-se de uma criança que era conhecida pelo menino do número 4.
"O menino do n° 4
Num hospital de província estava uma criança de oito a dez anos, num estado difícil de descrever; era designada apenas sob o n0 4. Inteiramente disforme, seja por deformidade natural, seja em consequência da doença, suas pernas tortas alcançavam-lhe o pescoço; sua magreza era tamanha que a pele se dilacerava sob a saliência dos ossos; seu corpo era uma ferida só e seus sofrimentos atrozes. Pertencia a uma pobre família israelita, e essa triste posição durava há quatro anos. Sua inteligência era notável para a idade; sua doçura, sua paciência e resignação eram edificantes. O médico, sob cujo cuidado ele se encontrava, tocado de compaixão por esse pobre ser de algum modo abandonado, pois não parecia que os pais o viessem ver com frequência, interessou-se por ele, e tinha prazer em conversar com ele, encantado com sua razão precoce. Não só o tratava com bondade, mas, quando suas ocupações lhe permitiam, vinha ler para ele, e espantava-se com a retidão de seu julgamento sobre coisas que pareciam acima da sua idade.
Um dia, a criança disse-lhe: “Doutor, tende a bondade de me dar mais pílulas, como as últimas que me receitastes. – E por que isso, minha criança? disse o médico; dei-te o suficiente, e temeria que uma quantidade maior te fizesse mal. – É que, como vedes, retomou a criança, eu sofro tanto que por mais que me esforce para não gritar, e peça a Deus que me dê força para não incomodar os outros doentes que estão ao meu lado, muitas vezes tenho muita dificuldade para me impedir de fazê-lo; essas pílulas me adormecem, e durante esse tempo ao menos eu não incomodo ninguém.”
Essas palavras bastam para mostrar a elevação da alma que esse corpo disforme encerrava. De onde extraíra essa criança sentimentos desses? Não podia ser do meio onde fora criado, e, aliás, na idade em que começou a sofrer, ainda não podia compreender nenhum raciocínio; eles eram portanto inatos nele; mas então, com tão nobres instintos, por que Deus o condenava a uma vida tão miserável e tão dolorosa, admitindo que ele tivesse criado essa alma ao mesmo tempo que esse corpo, instrumento de tão cruéis sofrimentos? Ou é preciso negar a bondade de Deus, ou é preciso admitir uma causa anterior, ou seja, a preexistência da alma e a pluralidade das existências. Essa criança morreu, e seus últimos pensamentos foram para Deus e para o médico caridoso que tivera compaixão dele.
Algum tempo depois ela foi evocada na Sociedade de Paris, onde deu a comunicação seguinte. (1863)
“Vós me chamastes; vim fazer com que minha voz se ouça além deste recinto para atingir todos os corações; que o eco que ela fizer vibrar se ouça até na solidão deles; ela lhes recordará que a agonia da terra prepara as alegrias do céu, e que o sofrimento não é senão a casca amarga de um fruto deleitável que dá coragem e resignação. Ela lhes dirá que na cama onde jaz a miséria, estão os enviados de Deus, cuja missão é ensinar à humanidade que não há dor que não se possa suportar com a ajuda do Onipotente e dos bons Espíritos. Ela lhes dirá ainda para escutar as queixas misturando-se às preces, e para compreender-lhes a harmonia piedosa, tão diferente dos acentos culpados da queixa misturando-se às blasfêmias.
“Um de vossos bons Espíritos, grande apóstolo do Espiritismo, teve a bondade de me deixar este lugar esta noite; também devo dizer-vos por minha vez algumas palavras sobre o progresso da vossa doutrina. Ela deve ajudar em sua missão aqueles que se encarnam entre vós para aprender a sofrer. O Espiritismo será o poste indicador; eles terão o exemplo e a voz; é então que as queixas serão transformadas em gritos de alegria e em choros de júbilo.”
P. Parece, segundo o que acabais de dizer, que vossos sofrimentos não eram a expiação de faltas anteriores?
R. Eles não eram uma expiação direta, mas ficai seguros de que toda dor tem sua causa justa. Aquele que conhecestes tão miserável foi belo, grande, rico e adulado; eu tinha aduladores e cortesãos: fui vaidoso por isso e orgulhoso. Não há muito tempo fui bem culpado; reneguei Deus e fiz mal ao meu próximo; mas expiei-o cruelmente, primeiro no mundo dos Espíritos, e em seguida na terra. O que suportei durante alguns anos somente nesta última e curtíssima existência, sofri-o durante uma vida inteira até à extrema velhice. Pelo meu arrependimento, recobrei a graça diante do Senhor, que se dignou a me confiar várias missões, das quais conheceis a última. Eu a solicitei para terminar meu aperfeiçoamento. Adeus, meus amigos, voltarei algumas vezes ao vosso meio. Minha missão é consolar e não instruir; mas há tantos aqui cujas feridas estão escondidas que ficarão contentes com a minha vinda.
Pobre pequeno ser sofredor, fraco, ulceroso e disforme! Quantos gemidos deixava ouvir neste asilo de miséria e de lágrimas! E apesar da sua pouca idade, como era resignado, e como sua alma já compreendia a finalidade dos sofrimentos! Ele bem sentia que no além-túmulo lhe aguardava uma recompensa para tantas queixas abafadas! Também, como rezava por aqueles que não tinham, como ele, coragem para suportar seus males, por aqueles sobretudo que lançavam ao céu blasfêmias em vez de preces!
Se a agonia foi longa, a hora da morte não foi terrível; os membros convulsionados torciam-se sem dúvida, e mostravam aos assistentes um corpo deformado revoltando-se contra a morte, a lei da carne que quer viver apesar de tudo; mas um anjo planava acima do leito do moribundo e cicatrizava seu coração; depois, ele levou nas suas asas brancas essa alma tão bela que escapava desse corpo informe pronunciando estas palavras: Glória vos seja prestada, ó meu Deus! E essa alma elevada para o Onipotente, feliz, exclamou: Eis-me, Senhor; vós me havíeis dado a missão de aprender a sofrer; suportei dignamente a prova?
E agora o Espírito da pobre criança retomou suas proporções; plana no espaço, indo do fraco ao pequeno, dizendo a todos: Esperança e coragem. Desprendido de toda matéria e de toda mácula, ele está aí perto de vós, fala-vos,não mais com sua voz débil e queixosa, mas com másculos acentos; ele vos disse: Aqueles que me olharam, viram a criança que não murmurava; extraíram daí a calma para seus males, e seus corações se fortaleceram na doce confiança em Deus; eis a finalidade da minha curta passagem na terra."
SANTO AGOSTINHO
"O Céu e o Inferno", Allan Kardec

"Quanto mais sentirdes vossa liberdade..."

"Quanto mais sentirdes vossa liberdade, sem dúvida maior será a vossa responsabilidade."

"Revista Espírita", Allan Kardec - Maio de 1865